A tração
dezembro 1st, 2011 § 2 Comentários
Qual era a nossa intenção quando a música se tornou cada vez mais fluida até ser abafada pelos nossos cabelos? O que fazíamos antes do Kerouac ir ao chão e se manchar com o resto das garrafas vazias de vinho que rolaram? O que falávamos quando nos calamos a língua e começamos a rosnar no ritmo do abajur antigo de tom âmbar que também acabou por cair? O que pensávamos quando começamos a nos ler intensamente e nos desfolhar vorazes até que, aglutinados de forma irregular como verbos tortos de ligação, jorramos luz, leite e mel? O que nós éramos antes de tudo isso?
O que nunca mais seremos?
Sentiam, e depois do sentir pode ser o que quiser.
porra, latrão!