Fanônicas – V

Tenho em mim todos os negros do mundo

O orixá que há em mim pode ou não saudar o orixá que há em ti

O que seriam os astros comparados ao manto negro que tudo permeia?

Assim tenho em mim todos os negros do mundo

Quando me ignoram, é para calar todos os negros do mundo

Quando me prendem, é para acorrentar todos os negros do mundo

Quando me batem, é para castigar todos os negros do mundo

Quando me matam, é para exterminar todos os negros do mundo

É tentando sumir comigo, como tentam sumir com todos os negros do mundo, que, um a um, em cada recanto de nossas ruas, lugares, músicas, culinária, fala, gestual, reza e vestuário que transparecem eles, todos eles, todos os negros do mundo.

Fanônicas – II

Fala, negão

diz aí, preto

ô crioulo

chega mais, meia-noite

fala sério, tiziu

você não liga para isso, liga?

você nunca ligou para isso

sempre rimos juntos, não?

você é nosso irmão

é praticamente da família

isso também é carinho

coisa de brother

que mão fechada é essa agora?

Vai me dar um soco?

hahaha, não vai rir?

Ah, seu nome?

Como assim seu nome?

Claro que eu sei seu nome

Você se chama

se chama

é

ahn

desculpa

mas vai

foi mal, cara

não me leve a mal

não vai embora assim