Sofia

Sofia. Era assim que se chamava. Apenas Sofia.

Sofia, entre crochês e tricôs, era só.
Sofia, entre crochês e tricôs, fia.
Sofia, por não ter amor, sofria.
Sofia, por não ter amor, era fria.

E só, a fria Sofia fia e sofria.

Sofia, na sua firma, conheceu Firmina.

Firmina lavava e passava. Menina firme.
Firmina lavava e passava. E filme via.
Firmina, por não ter amor, fugia.
Firmina, por não ter amor, fulmina.

E foi assim que Sofia, a só e a fria que fia e sofria formou fraternidade com Firmina, firme menina que fulmina e fugia. Falavam e fanfarronavam até a face formigar.

Mas um dia, Sofia vê Firmina flertando com Ofélia.

Ofélia que, entre mandos e desmandos, era a chefe.
Ofélia que, entre mandos e desmandos, era a fera.
Ofélia que, por não ter amor, era infeliz.
Ofélia que, por não ter amor, não tinha fé.

Daí formou-se a confusão.

Desfigurada pela fúria, a fria e só Sofia que fia e sofria se engalfinha freneticamente até fitar o meio-fio com a firme Firmina, a firme menina que fulmina, fugia e flertava com a Ofélia, a chefe infeliz que não tinha fé. Fracassadas e com as forças em frangalhos, as duas finalizam a afronta.

Furiosa, Sofia, a só e a fria que fia e sofria, desfez a fraternidade com Firmina, a firme menina que fulmina e fugia.

E fez-se o tempo.

Um dia, Sofia, que já não era mais tão fria e nem sofria tanto enquanto fia, afronta na firma a Firmina, a firme menina que já não fugia ou fulmina mas ainda filme via, e fala:

– FICAR DE FRASEAMENTOS FRACOS E FAJUTOS COM F NÃO FORMA FUTURO!

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