Entre átrios e ventrículos

Cruzando becos e ruas vazios, entre átrios e ventrículos, o órgão segue seu rumo sozinho na ausência total da luz, onde a brisa gelada da madrugada não consegue transportar sequer o latido de um cachorro vadio ou um gemido de dor interno. São nessas noites de ausência total da lua que o músculo reaprende a andar apenas no convívio da própria pulsação, mesmo que o choro e o medo ainda estejam presentes. Mas, se o frio gélido do não-toque for demais para o pobre miocárdio, que esse permaneça escondido dentro do peito e ignore essas madrugadas de vez.

Só deve chafurdar nas sombras quem sabe tatear no escuro.

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