Ceia

As criaturas refucilavam nas cédulas disputando as mais graúdas à unha, que eram devoradas sem aos menos serem mastigadas por completo. Em meio à fúria da gula, as bestas maiores enfiavam os dedos nas goelas das menores para arrancar as notas antes que fossem deglutidas. De seus esfíncteres anais expostos, pesadas moedas de diferentes valores eram excretadas ali mesmo, no mesmo pátio em que acontecia esta ceia repugnante. E o ciclo parecia não ter fim mesmo para quem conseguia se saciar, pois a fome voltava minutos depois do estômago cheio.

Aquele era o inferno do pecado capital.

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4 respostas em “Ceia

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