Chuva particular

Entrou no chuveiro e deixou a chuva particular lamber-lhe os cabelos. Logo as madeixas pesadas formaram cachoeiras que desabavam sobre a pele, bem aos poucos. Ela, de olhos fechados e pernas rijas, contemplou a sensação de ser vestida apenas pela água e sentiu o peso dos dias escorrer pelo ralo. Logo as mãos, ainda esquecidas nas torneiras, se apertaram forte e abraçaram os braços, depois escorrendo pelos seios, vagarosamente, até que uma resolve abandonar a parceira de dança e desce pelo ventre revoluto, visitando o vale entre coxas.

Então, o som da água sumiu.

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7 respostas em “Chuva particular

  1. bom, muito bom, meu caríssimo!

    obrigado pela visita e palavras, sempre um honra ter pessoas que sabem brincar e mergulhar com as palavras, ali, no meu simples blog.

    abração!

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