O maestro

A partida de sueca parou no meio bem no momento que um dos jogadores, ajeitando a boina, apontou para uma figura de aspecto messiânico que subiu em uma das mesas de concreto ao lado e, com um galho de árvore, começou a traçar gestos e expressões vorazes para a rua e para os que passavam pela pracinha do bairro. O homem de barbas e cabelos desgrenhados, vestindo um fraque surrado, parece querer reger o mundo, gesticulando como se estivesse captando a sinfonia da vida escondida entre os pulsos e ruídos da metrópole. Seus braços agem como se pudessem orquestrar e manipular as ondas de rádio que arrepiam seus braços ao passar pelo corpo.

– Ele é maluco? – perguntam na fila da padaria.

– Quase. É  poeta – responde o caixa.

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