A tração

Qual era a nossa intenção quando a música se tornou cada vez mais fluida até ser abafada pelos nossos cabelos? O que fazíamos antes do Kerouac ir ao chão e se manchar com o resto das garrafas vazias de vinho que rolaram? O que falávamos quando nos calamos a língua e começamos a rosnar no ritmo do abajur antigo de tom âmbar que também acabou por cair? O que pensávamos quando começamos a nos ler intensamente e nos desfolhar vorazes até que, aglutinados de forma irregular como verbos tortos de ligação, jorramos luz, leite e mel? O que nós éramos antes de tudo isso?

O que nunca mais seremos?

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2 respostas em “A tração

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