Continuum

No calor de suas coxas entre as cobertas, seu dedo médio lhe pousa suave como pluma. A carícia lembra um oito deitado e o ato de se acessar a senha de um cofre forte, como se o resultado da ação fosse liberar um tesouro. Ofegante e umedecida, treme de chutar o criado-mudo e balbucia, sozinha no quarto, uma língua que anjos nada barrocos entendem. No aumentar a velocidade, a estrela que surge ao lado de sua visão percorre todo o seu corpo e implode sugando toda a energia que está a sua volta. Suspensa no ar em milhares de pedaços, ela, subitamente, mergulha dentro de um caleidoscópio e é puxada de volta ao molde original como em um bungee jump umbral, ficando suspensa no ar até explodir em uma nuvem de lantejoulas que caem no solo fecundo que dão vida a inúmeros clones seus, nus, que desabrocham de flores e cogumelos subatômicos. E as sensações não param nem em intensidade e fluxo. Ela precisa sair da cama, mas não consegue. O pânico nem sequer tem espaço para tomar as rédeas, pois o orgasmo entope todas as entradas para sensações novas. E assim as horas passam e ela desiste de tentar conter o incontível. Não há mais escapatória. Depois de um tempo, não sabia se o tempo havia parado ou se estaria passando em um ritmo incalculável. Também perdeu a noção da concretude à sua volta e começou a se sentir emanando energia. Será que, no fim, viraria luz? Astro? Cometa? Galáxia? Não sabia, mas tem toda a certeza de que está condenada a gozar para sempre.

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3 respostas em “Continuum

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