Líric(o)nírico

Estive perto de ficar longe, mas resolvi me perder até me encontr(a)vestido entre uma espessa né(voa)r alto na frente dos anjos cá dentes e cada bater de asas parece mo(ver) os meridianos-luz cerca de sete graus pela órbita ocul(ar)pesado, as moléculas parecem de cimen(to) me sentindo microscopicamente intrauterino e onis(ciente) de que, para se dar a luz, é preciso parir a mãe. Não, chega de abstr(ações). Preciso de (arde) verdade. Quero abrir aquela cortina de carne que treme e abraça esse globo. Tento subi-la, mas ainda está muito vedada. Faço mais força, preciso da luz que vem detrás dela. Tenho medo de ficar aqui para sempre, sempre tive. Faço muita força, gasto todas as minhas energias. Vamos, abra. o sol já saiu. Abra, por favor. Eu prometo voltar uma dia. Isso, boa menina. A luz entra e me ilumina aos poucos. Em alguns segundos, o mundo se reconstrói na minha frente como uma marola que passa invertida e molda castelos de areia.

A cor dei.

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2 respostas em “Líric(o)nírico

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