Crônicos diálogos diacrônicos – IX

– Amor…

– Oi, amor…

– O que você está lendo?

Sexus, do Henry Miller. Estava revendo Cabo do Medo, aquele do Scorsese, e me lembrei que tinha esse livro aqui pela casa em algum lugar. Deu vontade.

– Ahn. Nome interessante. Tem muita sacanagem?

– Eu não diria “sacanagem”, mas tem uns pedaços bem…eróticos…

– Por que homem gosta tanto de sacanagem?

– É complicado. O que é sacanagem para vocês, para a gente, é apenas arte…

– Não é isso, palhaço. Eu também gosto de uma sacanagem de vez em quando, você sabe. É que vocês veem direto, consomem toda hora, se masturbam quase todos os dias mesmo quando estão namorando…por quê?

– É um defeito de fábrica. Os testículos humanos correm o risco de explodir se não forem esvaziados periodicamente.

– Bobo…

– É sério, amor. Isso está em muitos livros de história da medicina. Os espermatozóides, quando ficam confinados por muito tempo, se tornam violentos e começam a agredir uns aos outros. Isso explica grande parte da nossa agressividade natural. Há alguns relatos médicos que dizem existir até canibalismo entre eles. Ao nos masturbarmos, nós liberamos esses pequenos gladiadores em potencial para seguirem livres e, de quebra, evitamos uma dolorosa explosão escrotal. A punheta preventiva é um gesto libertário e um instinto de sobrevivência primário antes mesmo do homem ser homem.

– Credo. Você pensou nisso tudo agora?

– Querida, essa é a minha monografia.

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