Achados perdidos

Me apoiei nas paredes do meu quarto e elas se moveram. Que vergonha. Moro nessa casa há décadas e não havia notado que esse quarto tinha uma passagem secreta. Um corredor escuro me guiou até uma escada em espiral que seguia abaixo das fundações da casa. O cheiro era úmido e os pés colavam no chão viscoso. A luz foi ficando cara vez mais rarefeita e, o ar, cada vez menos visível. Enfim, chegando no fim do poço, vi que o chão era praticamente feito de tampinhas de caneta bic de várias cores, foi bem difícil andar por ali. Logo ao lado, havia uma pilha de palhetas de guitarra e, do lado contrário, uma caixa cheia de xuxinhas de cabelo usadas. Um estante suspensa guardava óculos, relógios de pulso, botões de roupa e cartas empoeiradas logo acima da estante dos guarda-chuvas. No meio da sala, um duende bem envelhecido tragava o seu cachimbo e me olhava com uma expressão blasé. Soltando a fumaça em rodelas pela boca, ele se apresentou:

– Prazer, Longuinho.

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