Crônicos diálogos diacrônicos – XI

– Adentrai, humilde vassalo.

– Sangue-novo sempre para ti, Senhor da Verdade!

– Sangue-novo sempre para nós, Navegador.

– Esplendoroso Mestre, esse seu reles servo pandegante acaba de realizar mais uma longa e cansativa viagem ao extremo ocidente. Porém, dessa vez, lhe trago uma novidade que haverá de descolar as estrelas do Céu de tão quente!

– Pois bem, então prossiga com as novas, meu caro.

– Perdão, nobre Mensageiro do Uno, mas a nova só pode ser entregue fisicamente e verbalmente a ti e somente a ti, pois o valor de inestimável inestimância que lhe é agregado só pode ser concebido pelo olhar régio da sua magnitude local, estatal, mundial e, quiçá, interplanetária.

– De acordo então. Servos, se retirem. Pronto, prossiga.

– Eis que vos trago uma novidade moldada nas fundições mentais mais escaldantes das terras além rio acima, meu nababesco Soberano do Real, Ceifador da Mentira e Carrasco Viril da Dubiedade. Uma criação atual que tem desafiado os sábios daquele lado de lá desse nosso Rio Oceano, ó Desbravador do Bem e do Bom. Um artefato que alquimista algum desse logradouro poderia ser capaz de conceber mesmo se o próprio Forjador Racional Do Além Mundo descesse em terra e desenhasse nas areias da praia com o seu sêmen divino o que…

– Caríssimo Navegador, por obséquio, retire os chantillys e prossiga com o bolo em si, que minhas horas são onerosas demais para suas construções verbais deveras rococós.

– Me perdoe, Mestre da Certeza. Aqui está o presente.

– Mas isso é uma, é um…

– Sim?

– É um simples gancho.

– De acordo com os sábios dos povos de lá, esse gancho é dotado de um poder descomunalmente destruidor. Dizem que esta é uma arma com o poder de destruir da opinião mais estapafúrdia às bases filosóficas mais sólidas de um povo. Os povos do além-lá temem muito o poder destruidor desse artefato, mas com o senhor é o Nababesco Senhor da Verdade, eles me entregaram e permitiram que eu o ofertasse.

– Interessante, e qual é o nome desse objeto tão furta-cor?

– Pelo o que pude averiguar, os povos de lá chamam de “Interrogação”.

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