Crônicos diálogos diacrônicos – XV

– Estou sonhando?

– Por que você acha isso?

– Eu, você, essa cama, esses lençóis, essa luz…está tudo muito perfeito. Perfeitinho demais pro meu gosto.

– Está sim. Você vai abrir os olhos em alguns minutos.

– Putz, sério?

– Sério.

– Promete que volta um dia?

– Não chora.

– Mas me promete?

– Não posso te prometer isso.

– Por quê?

– Eu não existo para fazer isso.

– Tudo bem…

– Pare de chorar. Você tem um dia inteiro pela frente.

– Não quero…

– Prefere se entregar ao inexistente ao encarar o que já tem?

– É que, para mim, você é real. É mais real do que tudo o que já tive.

– Não sou real, nunca fui real. Eu apenas imito o que você já tem e nunca deu valor. Sou apenas uma nuvem torta em que você enxergou um rosto.

– Sentirá minha falta?

– Não.

– Por que?

– Eu não existo para conseguir sentir.

– Tudo bem…

– Preparado?

– Peraí.

– O que foi?

– Nada. Agora estou.

– Pronto. Um, dois, três e

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Uma resposta em “Crônicos diálogos diacrônicos – XV

  1. – É que, para mim, você é real. É mais real do que tudo o que já tive.

    Que bonito Frederico. Gosto quando você deixa esses vazios nos diálogos, dando uma vontade de querer continuar ou na vontade de imaginar a continuação.

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