Crônicos diálogos diacrônicos – XVIII

– O que lhe atraiu em mim?

– Os seus olhos, o seu sorriso, o seu charme…

– Não, eu digo em mim “mim”, sabe. Como pessoa.

– Ah, o seu humor, a sua personalidade forte, sabe, o seu…

– Não, querido, eu digo em mim essencialmente, como energia.

– Energia?

– É, essência, aura…

– Ah, não sei exatamente. De repente foi esse facho azulado aqui em volta de você…

– Não debocha de mim.

– Mas é sério. Você tem um tom assim meio azul-lilás. Quando a gente se beija, transa ou se beija transando, ele entra em minhas narinas, percorre a minha boca e eu sinto o seu gosto e essência me preenchendo os pulmões como um bom trago, estimulando os poros, eriçando meus pelos e aguçando os meus sentidos. Quando eu vejo, eu não sei se eu sou eu ou se já sou você, pois eu quero te sorver ainda mais, mergulhar cada vez mais fundo nessa energia, nesse fluxo, nessa torrente que me queima por dentro e enrijece, que me defenestra do mundo por alguns instantes e me devolve em um casulo de sensações, que me…

– Ok, fiquei excitada.

– E o que lhe atraiu em mim?

– Você é poeta.

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