Chorão

Sempre foi considerada uma criança chorona. Pranteava de fazer inveja ao mar e Madalena. Chorava à toa. Os pais tinham medo. Acharam que poderia crescer gay como se todo gay fosse chorão. Simplesmente chorava, não havia limite entre a tristeza que não valia uma lágrima e uma dor enorme. Chorava. As lágrimas escorriam quase que involuntárias. Por sorte, também cresceu muito alegre. Ria em demasia. Os pais tinham medo. Acharam que poderia crescer gay como se todo gay fosse “gay”. Simplesmente ria, não havia limite entre uma risada sobre algo engraçadinho ou realmente muito engraçado. Ria tanto que chorava. Acabou crescendo artista, pois só vira artista quem não o é de nascença. Suas pinturas eram o suco de suas emoções, literalmente. A aquarela utilizada era caprichosamente diluída em suas lágrimas. Eis a desculpa para o preço salgado das telas.

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