Necrópole eu

Não me machuque, sou o pior dos seres. Mato gente todo dia e da pior forma possível. Mato com requintes de crueldade. Mato, esquartejo e picoto os órgãos. Mato, bebo o sangue e taco sal na terra. Mato para mim. Mato dentro de mim. E cá sigo, com cadáveres e restos mortais em meu peito. Enquanto isso, eles seguem penados e sem saber que morreram. Insepultos, frios e sem Antígonas para lhes prestar dignidade. Minha boca não é um túmulo, mas exala o hálito pútrido das dores não desapegadas. Prazer, meu nome é Rancor.

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Uma resposta em “Necrópole eu

  1. Muito bom, descreveu o rancor com clareza… Gostaria de pedir uma descrição da felicidade também… ^~^

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